Quilombo São Sebastião do Burajuba prepara a sede para montar museu quilombola em Barcarena, no Pará | Pará

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O Brasil possui 5.972 localidades quilombolas, divididas em 1.672 municípios brasileiros. Os dados são uma estimativa feita a partir da Base de Informações Geográficas e Estatísticas sobre os Indígenas e Quilombolas do IBGE.

Dessas localidades, o Pará tem o maior número daquelas com delimitação oficial (75). Barcarena, na região nordeste, é um exemplo da presença quilombola no estado. No município, há cinco comunidades oficialmente certificadas pela Fundação Palmares.

Neste 13 de maio, Dia Nacional de Denúncia Contra o Racismo, Barcarena será o local a receber a instalação do Museu Quilombola Januária Rodrigues.

Segundo Leonardo Silva, o museólogo da Universidade Federal do Pará, ele será o segundo museu quilombola do Estado e primeiro da cidade. O espaço representa um símbolo de preservação da memória e história do povo quilombola.

Leonardo explica que após compartilhar o desejo da líder comunitária com outros museólogos, ele decidiu colocar a ideia em prática.

“Ouvir as narrativas e histórias tristes me geraram uma indignação e me transformaram em um militante que abraçou as pautas locais, a ponto de sonhar em fazer algo mais prático para ajudar essas pessoas”, destaca.

Quem idealizou a instalação do museu foi a Maria do Socorro Costa. Ela afirma que a proposta do museu é apresentar as memórias, as narrativas, a luta ambiental, os conhecimentos tradicionais e a identidade quilombola local.

“Queremos deixar a história da nossa luta para as futuras gerações e resgatar a nossa identidade de volta. Eu acho que através desse museu, os quilombolas vão dar mais importância e entender que a nossa luta ainda não acabou”, afirma.

Essa ideia chegou aos ouvidos do Leonardo Silva. O museólogo estuda as narrativas de vida e de resistência das comunidades tradicionais de Barcarena.

O acervo do espaço vai ser montado com objetos adquiridos junto a pessoas da comunidade.

“Teremos registros fotográficos, narrativas e objetos doados, a história quilombola, a religiosidade, vidas e vivências de membros e lideranças comunitárias, bem como as suas experiências de resistência frente aos megaprojetos”, detalha o museólogo.

O espaço onde funcionará o museu é de alvenaria, possuindo cinco cômodos. A área conta também com um espaço exterior, com a presença de plantas típicas da região.

Além de representar a memória e a cultura material das pessoas da comunidade de Burajuba, o local vai oferecer também cursos, oficinas, venda de artesanato e de comidas, roteiros turísticos, aulas de artesanato, pintura e capoeira.

De acordo Leonardo Silva, o momento agora é captar recursos para a instalação do museu.

Preservação da memória

O Museu será instalado na Avenida Padre Casemiro Pereira de Souza, sede da comunidade quilombola São Sebastião do Burajuba.

O nome da instituição homenageia Januária Rodrigues, mulher negra, escravizada e morta em um antigo engenho da região. Para a líder comunitária Maria do Socorro Costa, bisneta de Januária, a memória da bisavó permanece viva entre os moradores locais.

“Minha bisavó nunca teve o corpo encontrado. Essa forma de homenagear ela me deixa muito feliz. Essas negações de direitos me fazem lembrar dela. O que minha bisavó não passou para que a gente pudesse estar aqui hoje”, reflete.

Segundo Maria do Socorro, a comunidade Burajuba tem aproximadamente 1200 famílias.

“É possível sim que quilombos e indígenas lutem pelos seus direitos, sejam eles quais forem. A gente existe e temos direitos aos títulos, à saúde, etc”, afirma.

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