Irmãs contam que conheceram o verdadeiro amor de mãe através de Nossa Senhora | Círio de Nazaré – 2021


As histórias de Nayara e Bruna se conectam não só pelo sangue. As irmãs compartilham uma história de conexão com Nossa Senhora.

Tudo começou quando a terapeuta ocupacional Bruna Santos foi convidada para ir a um retiro da Associação Católica Adoremos o Senhor (Acas) no ano de 2013, em Belém. Foi o primeiro contato dela com o catolicismo. Mesmo sem entender direito como as coisas aconteciam, ela descreve o momento como um “pedacinho do céu”.

“Eu resolvi estudar sobre a Igreja, porque muitas dúvidas começaram a surgir no meu coração, e percebi que era totalmente diferente do que tinham me dito um dia. No retiro eu entrei cheia de preconceitos, acreditando que católicos adoravam imagens, e quando comecei a estudar fui entendendo que cada coisa tinha um passo a passo perfeito, como na missa, onde a gente presencia o sacrifício de Cristo na cruz”, lembra.

Chegou um momento que Bruna percebeu que precisava daquilo. Ela continuou frequentando missas e alguns encontros até que em uma adoração, ela teve a resposta que faltava para decidir se permanecia ali ou se retornava para sua religião de origem.

“Quando o diácono pegou a hóstia e saiu caminhando pela igreja, ele parou do meu lado. Eu senti como se um ímã me puxasse para ficar de joelhos, e eu fui para o chão. Comecei a chorar. O que vivi naquele momento não podia ser feito por um pedaço de pão. Era o Cristo”, relatou.

Enquanto Bruna se reconhecia nesse novo espaço, ela também incentivava a irmã, Nayara, a viver aquela experiência, começando pelo retiro. “Eu tinha trabalhado o dia inteiro, já tinha desistido de ir, até porque estava resistente, mas quando cheguei em casa, minha irmã havia pregado bilhetes motivacionais no meu quarto e arrumou minha mala. Então eu fui”, conta Nayara.

Lá, a professora de Educação Física lembra que foi um momento que a fez pensar o quanto Maria era importante na história de Jesus. As experiências e a companhia da irmã foram fazendo Nayara ficar, frequentar, procurar entender, e até fazer primeira comunhão e Crisma.

“Meu padrinho de Crisma também foi meu formador, disse a ele que faria mas não garantia estar ali no final do ano, e ele aceitou. Toda semana eu estava lá, até que passou o ano todo, já era próximo da primeira comunhão e eu ainda não conseguia aceitar Nossa Senhora completamente. Era um bloqueio no meu coração e eu não ia aceitar a comunhão e a crisma se eu não aceitasse a mãe da igreja”.

Foi então que Nayara pediu, em oração, que se fosse da vontade de Deus, que ela conseguisse sentir Nossa Senhora do lado dela.

“Eu não sabia o que era ser cuidada por uma mãe, o tal colo de mãe, eu não sabia o que era isso, não sabia ser cuidada, e eu pedi a Deus para sentir isso vindo de Nossa Senhora, que tanto falavam” diz Nayara.

Uma semana depois, Nayara sonhou que estava nadando em um rio verde, contra a correnteza. Essa água levava várias coisas velhas, botas, bicicletas, e ela nadava contra a maré mas sem se esforçar. Ela sentiu medo até que chegou na areia. Ainda com medo, ouvia a voz de uma pessoa que dizia “filha, não temas, eu estou contigo”, e quando viu estava no colo de uma mulher, passando a mão em sua cabeça.

“Eu senti uma tranquilidade que nunca tinha sentido. Aí levantei e desde então foi que tive certeza que ela estava comigo. Foi o meu primeiro contato e nunca mais me senti sozinha. E isto foi decisivo para fazer a primeira comunhão e a crisma”, conta Nayara.

Bruna também precisou “se entender” com Maria. Ela cresceu com a ideia de adoração a Maria, mas isto foi desfeito quando relacionou a confiança de uma mulher em Deus.

“Deus não precisava de Maria para fazer a história da salvação acontecer, mas ele quis precisar, mostrar que uma mulher, humana como nós, poderia confiar em Deus, porque engravidar antes do casamento poderia leva-la à morte. Claro que ela teve medo, mas a confiança em Deus foi maior”.

A questão das imagens, a devota encara como se fosse o olhar de alguém para uma fotografia ao lembrar de um ente querido. “Fazemos jus à memória dela, ao sim que ela deu ao anjo Gabriel. Olhamos para aquela imagem com muito carinho por nos fazer lembrar disto”, explica Bruna.

A experiência de Bruna fez com que ela sentisse o amor de mãe que ela ainda não sabia como era — Foto: Redes Sociais/Acas

“Entendi que Nossa Senhora sempre esteve comigo em toda a minha vida, mesmo quando me senti órfã de mãe. Hoje eu vi que ela [Nossa Senhora] assumiu esse papel de mãe e foi ela quem me guiou até aqui”.

O Círio de Nazaré passa a fazer parte da agenda das irmãs

Desde então, Bruna e Nayara já passaram por todas as experiências que um bom devoto deve passar no Círio de Nazaré. Já foram nas duas procissões, na corda, já ajudaram amigos que faziam o trajeto do Círio de joelhos, Nayara já fez massagem em fieis e sempre procuram alguma ação para se sentirem conectadas com a energia do Círio.

Nayara já fez massagens curativas em fieis que pagam promessas caminhando até a Basílica — Foto: Arquivo pessoal

“Essas experiências eu não viveria em nenhum outro lugar. É muito emocionante porque chega uma hora que você não tem mais força e a única coisa que nos sustenta é o nosso olhar voltado para o alto, para Deus e Nossa Senhora”, conta Bruna.

No último Círio, Nayara conta que acompanhava um grupo de quatro promesseiros da Igreja da Sé até à Basílica, mas o percurso foi muito emocionante.

“Encontramos outros promesseiros sozinhos e terminamos com 12. Foi muito difícil, mas meus amigos que estavam pagando promessa voltaram para ajudar. Foi lindo, comecei a chorar e todo mundo que foi de joelho nesse dia, no final, agradeceram muito, e a gente também agradece porque a gente tenta levar amor e carinho e recebe muito mais”, diz emocionada.

Bruna ajuda o amigo, que mais tarde tornou-se seu marido, a pagar promessa no Círio de Nazaré — Foto: Ana Lu Rocha

E além de ter mudado sua concepção de ver o mundo, nessa caminhada Bruna ainda fortaleceu os laços com um amigo dentro da Acas, que hoje é seu marido. “Foi Deus quem colocou ele na minha vida. Nós éramos o braço forte um do outro, em todos os momentos estávamos lá para o outro. A gente foi escolhido na verdade”.

Bruna e Nayara fizeram comunhão e crisma juntas — Foto: Redes Sociai/Acas

E Nayara diz que sua vida foi completamente modificada depois daquele primeiro retiro.

“A Nayara que está aqui hoje eu diria que ela, além de ser muito mais feliz, é uma pessoa que olha muito para outra pessoa, não fico focada só nas minhas fraquezas e dores, eu consegui ter compaixão pelo outro”.

“Eu conheci o verdadeiro amor na minha vida pelas mãos de Nossa Senhora. Mudou a minha vida completamente. Não tem nada da Nayara que era antes daquele retiro hoje”, finaliza.



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