Idoso com câncer e diabetes está há quatro dias à espera de leito para tratar Covid-19 em Belém, diz família | Pará


A família de um paciente com 73 anos, diagnosticado com Covid-19, portador de câncer, diabetes e pressão alta, relata atendimento precário em um plano de saúde particular em Belém. Segundo a sobrinha do paciente, a advogada Patricia Raiol, o quadro é grave e ele está à espera de leito há quatro dias, devido a uma complicação provocada por bactérias. A família disse ainda que o plano informou na noite desta segunda que não há previsão de leito.

O caso foi enviado nesta segunda (3) à Ouvidoria do plano de saúde. O G1 solicitou posicionamento do plano, mas até a última atualização da reportagem não havia obtido resposta.

A família do paciente, que teve a identidade preservada pela reportagem, disse que ele chegou a percorrer quatro hospitais e três unidades hospitalares no dia 21 de março, até que conseguiu atendimento e acomodação em uma cadeira, “sem qualquer tipo de atendimento digno”.

“A segunda dificuldade foi levarem ele para o Hospital Geral, pois inventavam que o sistema estava fora do ar. Foi preciso a família se deslocar para falar com a enfermeira para agilizar o exame. Depois de dois dias internado, tivemos que providenciar até um adaptador de tomada para ligar a tomada do oxigênio“.

O paciente foi internado na UTI no dia 23. Segundo a família, os boletins médicos não eram dados de forma precisa.

“Ele passou quinze dias na UTI e viveu o pior dos pesadelos. Chamava o corpo técnico lá e ninguém atendia, quando ia tomar banho eram violentos. Disse uma vez que quase o enfermeiro o derruba, pois a cama correu”, afirma a família.

No último dia 20 de abril, o paciente foi continuar o tratamento em casa, pelo Serviço de Apoio Familiar (SAD), mas ainda de acordo com a família, o serviço foi precário.

“Não tiram a pressão, nem checam glicose e saturação. As escaras (feridas) dele eram para serem tratadas com as placas, e a família pediu desde o dia da alta, mas não fizeram”.

Com saturação baixa, o idoso precisou ser removido, já que estava sem oxigênio em casa. “Uma técnica de enfermagem, que se identificou como médica, disse até para fazer compressa na testa dele”.

Ao voltarem ao setor grave do hospital, um médico disse à família que ele não deveria ter sido liberado para casa, pois apresentava muito inchaço e as escaras estavam em grau alto. Desde então ele vem recebendo tratamento paliativo.

Idoso com câncer e diabetes é acomodado em cadeira no início do quadro de Covid-19. — Foto: Reprodução / Arquivo Pessoal



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