Hospital libera imagens de segurança e alega que levou 13 minutos para iniciar atendimento à grávida que deu à luz em calçada, em Belém | Pará


O Hospital da Ordem Terceira, em Belém, liberou nesta quarta-feira (27) imagens da câmera de segurança que registraram o episódio envolvendo Tainara Cristina Rodrigues dos Santos, que pediu socorro à instituição e teve atendimento negado. Sem ajuda, ela acabou dando à luz na calçada perto do hospital. Com a divulgação das imagens, a Ordem Terceira alega que, entre a negativa de socorro à entrada no hospital, deu-se um intervalo de 13 minutos. A mãe e o bebê permaneceram internados no hospital o dia 22 de novembro, quando receberam alta.

O caso ganhou repercussão após um vídeo circular nas redes sociais no dia 17 de novembro. Na gravação, Tainara aparece desmaiada em uma calçada após dar à luz ao seu filho, que chora no chão. A mulher estava a poucos metros do Hospital Ordem Terceira, e de acordo com testemunhas, o hospital teria negado atendimento. Nas imagens ninguém aparece ajudando a mãe ou a criança.

Na manifestação desta quarta (27), o Ordem Terceira divulgou as informações via nota. A instituição optou por não divulgar o vídeo, mas frames da gravação com a identificação dos horários de registro.

De acordo com as imagens liberadas pela Ordem Terceira, às 04h31 do dia 17 de novembro, Tainara chega no hospital.

Às 04h31, a grávida Tainara chega à porta do Ordem Terceira e pede atendimento — Foto: HOT/Ascom

Às 04h31, a grávida Tainara chega à porta do Ordem Terceira e pede atendimento — Foto: HOT/Ascom

Às 04h33, a paciente deixa o centro de saúde, segundo a Ordem Terceira, “após a negativa do porteiro” que informou que não havia médico nem leito para o atendimento.

Dois minutos após chegar à frente do hospital e ter o atendimento negado, Tainara e a mãe deixam o local,  — Foto: HOT/Ascom Dois minutos após chegar à frente do hospital e ter o atendimento negado, Tainara e a mãe deixam o local,  — Foto: HOT/Ascom

Dois minutos após chegar à frente do hospital e ter o atendimento negado, Tainara e a mãe deixam o local, — Foto: HOT/Ascom

Às 04h35, a mãe de Tainara volta ao hospital e avisa que a filha teve o filho na esquina. Às 04h39, funcionários do hospital saem para prestar auxílio à mãe e ao bebê.

Mãe de Tainara volta ao hospital e diz que a filha acaba de dar à luz na calçada da esquina — Foto: HOT/Ascom Mãe de Tainara volta ao hospital e diz que a filha acaba de dar à luz na calçada da esquina — Foto: HOT/Ascom

Mãe de Tainara volta ao hospital e diz que a filha acaba de dar à luz na calçada da esquina — Foto: HOT/Ascom

Às 04h44, Tainara dá entrada no hospital.

Imagens mostram equipe médica chegando ao Hospital Ordem Terceira levando Tainara em maca — Foto: HOT/Ascom Imagens mostram equipe médica chegando ao Hospital Ordem Terceira levando Tainara em maca — Foto: HOT/Ascom

Imagens mostram equipe médica chegando ao Hospital Ordem Terceira levando Tainara em maca — Foto: HOT/Ascom

Segundo a nota, as imagens demonstram que “as informações veiculadas de que a paciente levou mais de uma hora para ser socorrida não condiz com os fatos”. O caso é investigado pela Polícia Civil, pelo Ministério Público do Pará (MPPA), Secretária Municipal de Saúde (Semas) e pelo Conselho Regional de Medicina (CRM).

A direção do hospital reiterou que está prestando esclarecimentos aos órgãos quando solicitado, e que já ouviu todos os funcionários que estavam de plantão naquela madrugada. Os depoimentos serão encaminhados para o Ministério Público na próxima semana. A nota da Ordem Terceira informa ainda que as imagens do circuito interno do hospital já foram entregues para a promotora que acompanha o caso.

O hospital disse ainda que o diretor-presidente, Hernan Fernandez, a assistente social, Neusa Kelly Vidal Martins, e o diretor administrativo, Atahualpa Fernandez Filho, já estiveram no Ministério Público do Estado prestando esclarecimentos à promotora de justiça. Nos próximos dias, funcionários do hospital serão ouvidos no MP. o hospital abriu procedimento administrativo no dia 18 de novembro para apurar o caso.

O delegado Walter Resende, que preside o inquérito, informou que solicitou as imagens das câmeras de segurança do prédio. Ainda segundo a polícia, inicialmente se trabalha com os crimes de omissão de socorro e abandono de incapaz, mas só poderá ser concluído com o fim das investigações. A equipe médica que estava de plantão na madrugada do ocorrido também será ouvida. A polícia quer saber de onde veio a ordem para fechar as portas do hospital e negar o atendimento.

“Vamos ouvir os médicos plantonistas e enfermeiros para juntar com os exames de delito e fazer um relatório a ser encaminhado ao Poder Judiciário. Queremos saber o que ocorreu e o motivo do hospital estar com as portas fechadas e não ter feito o atendimento imediato naquele momento em que ela pedia socorro”, diz Walter Resende.

“Temos o direito e o dever de ajuizar a ação por danos morais contra o hospital. estamos estudando implicar também o município de Belém”, diz Sérgio Moraes, advogado de Tainara.

“Eu penso assim: mais tarde essa criança vai crescer, o que vai passar pela cabeça dessa criança?”, questiona Ana Lúcia Santos, avó do bebê e mãe de Tainara.



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