Fila do auxílio emergencial da Caixa leva da frustração à surpresa com saque de R$ 1.200 – Diário Online



A desempregada Raquel
Ávila, 38 anos, esperou, na última segunda-feira (27), mais de cinco horas em
uma fila com outras 300 pessoas que, assim como milhões de brasileiros em todo
o país, procuraram agências da Caixa Econômica Federal no primeiro dia do saque
do auxílio emergencial de R$ 600.

Ao sair de casa no Jardim Promorar, na região de
Sapopemba, extremo leste da capital paulista, para enfrentar uma aglomeração
favorável à transmissão do novo coronavírus, Raquel sabia que o auxílio
solicitado pela internet havia sido negado.

Mas a recente aprovação do seu cadastro para outro
benefício, o Bolsa Família (cujo valor máximo é de R$ 205), ainda tornava
necessária a ida ao banco.

Quando chegou ao guichê para realizar o saque, ela
descobriu que constava em sua conta um auxílio emergencial de R$ 1.200, valor
destinado a mães que, assim como Raquel, são chefes de família. “Eu fiquei
surpresa quando chegou a minha vez de sacar e percebi que tinha R$ 1.200.”

A conversão do Bolsa Família em auxílio emergencial se
dá de forma automática nos casos em que há o direito e a substituição é
vantajosa para o beneficiário.

Os pedidos do auxílio, que é destinado a pessoas que
ficaram sem renda durante a pandemia, somam quase 93 milhões. Mas só a metade
dos cadastros recebe aprovação.

Autônomo na área da construção civil e sem trabalho
desde o início da quarentena na cidade de São Paulo, Alexandre Gomes de Araújo,
37, descobriu que estava na lista dos rejeitados após passar oito horas em uma
fila da Caixa.

Pai de quatro filhos, não conseguiu concluir o
cadastro porque o número do seu CPF apresentava inconsistências, segundo o
aplicativo para requisitar o auxílio.

Araújo e sua esposa, Fernanda Gomes, 35, entraram na
fila às 5h e foram dispensados às 13h por um funcionário do banco estatal. O
atendente afirmou que o problema com o documento não poderia ser resolvido no
local. “A gente só perdeu tempo e noite sem dormir”, comentou.

O casal persistiu e, no mesmo dia, foi a uma agência
dos Correios onde a validade do CPF de Araújo foi confirmada. Agora, o plano é
“comprar um celular fiado”, pois o telefone de Araújo quebrou, para
tentar refazer o cadastro no aplicativo.

Ao lançar o auxílio emergencial, o governo do
presidente Jair Bolsonaro afirmou que o sistema eletrônico desenvolvido para
requisição e transferência do dinheiro para contas bancárias dispensaria a
necessidade comparecimento a agências da Caixa.

Aplicativo para receber o dinheiro tem falhas A
eficiência prometida não pode ser comprovada por pessoas como a desempregada
Amanda André Rodrigues, 36, que precisou ir ao banco no Jardim Iguatemi (zona
leste) porque não conseguiu transferir o dinheiro para a sua conta bancária por
meio do aplicativo Caixa Tem.

Nascida em outubro, Amanda compareceu à agência na
data reservada para saques de aniversariantes em janeiro ou fevereiro. Ficou na
fila das 6h30 até as 14h. Mas a espera de quase oito horas não foi em vão. Ela
sacou os R$ 600. “Estou cansada, mas deu tudo certo”, afirmou.

Rafael Carrião, 35, é prestador serviços no ramo da
construção. Ele ficou sem trabalho quando a pandemia interrompeu a circulação
dos ônibus em São Caetano do Sul (Grande SP), onde as três obras em que ele
trabalhava foram paralisadas.

O auxílio dele foi aprovado e a transferência pelo
Caixa Tem foi confirmada pelo aplicativo, mas o dinheiro não apareceu na conta
que ele possui em banco privado.

Carrião passou sete horas em uma fila do banco federal.
Ao final da espera, foi informado por um funcionário que o dinheiro
possivelmente havia sido estornado. “Eu saí de mãos abanando.”

 

VEJA QUEM TEM DIREITO

De acordo com a lei, pode receber o auxílio quem
cumprir as seguintes condições, acumuladamente:

– É maior de 18 anos

– Não tem emprego formal

– Não receba benefício assistencial ou do INSS, não
ganhe seguro-desemprego ou faça parte de qualquer outro programa de
transferência de renda do governo, com exceção do Bolsa Família

– Tenha renda familiar, por pessoa, de até meio
salário mínimo, o que dá R$ 522,50 hoje, ou renda mensal familiar de até três
salários mínimos (R$ 3.135)

– No ano de 2018, recebeu renda tributável menor do
que R$ 28.559,70

 

O futuro beneficiário deverá ainda cumprir pelo menos
uma dessas condições:

– Exercer atividade como MEI (microempreendedor
individual)

– Ser contribuinte individual ou facultativo da
Previdência, no plano simplificado ou no de 5%

– Trabalhar como informal empregado, desempregado,
autônomo ou intermitente, inscrito no CadÚnico até 20 de março deste ano ou que
faça autodeclaração e entregue ao governo





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