BBB 20: família de Thelma diz que vai processar empresário por racismo – Diário Online



Thelma
Assis, 35, trabalhava em quatro hospitais, entre eles o Hospital do M’Boi Mirim
e o do Servidor Público Municipal, em São Paulo, quando decidiu dar um tempo
nos plantões de até 24 horas que fazia como médica anestesiologista para entrar
no Big Brother Brasil 20.

Thelminha,
como é chamada pelos amigos de dentro e de fora da casa, tem sido elogiada por
ser autêntica, por ter posições firmes e também por dançar muito bem nas festas
-ela desfila na Mocidade Alegre há 15 anos e, eventualmente, em outras
agremiações.

Criada no
bairro do Limão (zona norte de São Paulo) apenas pela mãe, Thelma fez cursinho
por três anos após se formar no ensino médio até conseguir passar na PUC
(Pontifícia Universidade Católica) de Sorocaba, onde estudou sem ter que pagar
mensalidade.

“Tudo
na vida da Thelma foi conquistado graças a bolsas de estudo, [foi assim] até na
companhia de balé onde ela se formou e dançou por oito anos”, conta o
fotógrafo Denis Santos, 35, marido de Thelma.

Durante o
período em que se dedicou à faculdade de medicina, Thelma morou em uma pensão e
ralava para pagar as contas, chegando a entregar panfletos na rua. Em um vídeo
que mostra sua rotina antes de entrar no reality, ela se diz orgulhosa de ser
quem é, mas frisa que nada foi fácil. “Eu me sinto muito empoderada. Tudo
que eu tenho eu consegui com muito esforço e muita luta”, diz.

Médico
anestesiologista, Gustavo Imbiriba, 29, trabalhou com Thelma por três anos
quando atuou como residente do Hospital das Clínicas de São Bernardo (SP). Para
ele, é possível que a médica continue a exercer a profissão mesmo que vença a
competição –ela é apontada como forte candidata ao prêmio de R$ 1,5 milhão.
“Thelma gosta muito do que faz, e é difícil se afastar de vez. Vai
depender também do que surgir de oportunidade, mas ela é inteligente e vai
saber o que fazer.”

THELMA NO
JOGO

A sister
também tem se destacado por falar de temas como racismo no BBB. Em uma conversa
na casa, ela contou que, por causa da cor de sua pele, muitas vezes não é
reconhecida como médica. “No hospital podem me dar qualquer função, menos
de anestesista, de médica.”

O fato de
ser a única mulher negra nesta edição do programa, assim como Babu é o único
homem negro, aproximou os dois desde o início da competição. “A nossa
cútis sempre nos aproxima”, disse certa vez a Babu, em tom amigável.

No último
fim de semana, contudo, a declaração de Thelma de que poderá votar em Babu
mobilizou as redes sociais. A frase, dita em conversa com Marcela, ocorria no
momento em que Babu dizia a Felipe Prior que não indicaria Thelma ao paredão.

Marcela
foi uma das primeiras amigas de Thelma na casa, mas acabou se distanciando,
especialmente após a chegada de Daniel. Para críticos e telespectadores, embora
tenha dado o “anjo” para Thelma no último paredão, Marcela não mantém
com a amiga uma reciprocidade saudável como a que ela poderia ter com Babu e
também com Manu e Rafa, de quem Thelminha se aproximou bastante nos últimos
dias.

RACISMO
ESTRUTURAL

Apesar do
engajamento de Thelma com a questão racial, telespectadores apontam, em
comentários nas redes sociais, que tanto ela como Babu têm sido vítimas de
preconceito dentro do programa, sendo até excluídos por outros jogadores.

“Há,
sim, um racismo não explícito. Não estou chamando ninguém de racista. É um
racismo estrutural. A pessoa não percebe as bobagens que fala”, avalia o
fotógrafo Denis Santos, marido de Thelma.

O racismo
estrutural é definido pelo entendimento de que o preconceito racial não é uma
anormalidade da sociedade, mas parte da formação das estruturas políticas,
econômicas, jurídicas e sociais. Professora de História e pesquisadora de
questão racial, Suzane Jardim acompanha o programa e concorda que exista
racismo dentro da casa. Ela explica, contudo, que o racismo estrutural não pode
ser desculpa para alguém continuar a ter atitudes problemáticas e deve ser um
convite à mudança.

“Os
comentários e ações individuais não são o ‘racismo estrutural’ em si e há
exemplos melhores na própria estrutura do programa: ninguém acha estranho o
fato de toda edição ter dois negros em meio a dez brancos ou mais, é o comum.
Se convidassem mais negros falariam que é forçado ou estranho”.

Nesta
terça-feira, a família de Thelma se posicionou e disse que vai processar o empresário Rodrigo Branco pelos comentários racistas dele em uma live. O
empresário disse que Thelma só tem torcida por ser “negra coitada”.





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