Aulas presenciais no Ciaba em Belém são suspensas após denúncia de contaminação generalizada por Covid-19 | Pará


Os alunos do Centro de Instrução Almirante Braz de Aguiar (Ciaba) de Belém tiveram as aulas presenciais suspensas nesta quinta-feira (30). A suspensão ocorreu após ações movidas pela Ministério Público Federal (MPF) e solicitação da Ordem dos Advogados do Brasil Seção Pará (OAB-PA), que alertaram para o risco de proliferação do novo coronavírus. Mães de alunos também denunciaram que havia contaminação generalizada no Ciaba.

Procurada pelo G1, a Marinha do Brasil não informou se a suspensão ocorreu em virtude de ordem judicial, nem como funcionarão as aulas após a medida. O quantitativo de alunos de outros estados que devem ser remanejados para suas cidades natais também não foi informado à reportagem.

Belém é o epicentro do novo coronavírus no Pará. Segundo dados divulgados pela Secretaria de Saúde do Pará (Sespa), até a tarde desta quinta (30), a capital já registra 1658 casos confirmados e 139 mortes. No Pará, são 2999 casos positivados e 224 óbitos.

O sistema público de saúde de Belém está em colapso. O atendimento nas UPAs está sobrecarregado. Segundo a Prefeitura de Belém, todas as UTIs públicas da rede municipal estão lotadas. Na rede estadual, a taxa de ocupação de leitos exclusivos para Covid-19 é de 91%.

Contaminação generalizada

De acordo com denúncias publicadas pelo G1 no dia 24 de abril, as mães de alunos relataram que apenas os estudantes que estão em estado grave da doença foram autorizados a ficar em isolamento. O resto dos estudantes seguiram em aula. Elas contaram que o Comando Naval, que coordena as atividades do Ciaba, não se pronunciou formalmente sobre a liberação dos alunos. Em nota enviada à época, o Ciaba alegou que não havia casos de alunos positivados na instituição.

“Os meninos não podem deixar de ir pra aula porque podem ser expulsos. Mas eles estão passando mal. Não houve liberação por parte do comando. Absurdo entregar nossos filhos com saúde e recebê-los provavelmente num caixão”, contou uma mãe, que preferiu não se identificar.

A luta das mães de alunos pedindo a suspensão de aulas durante a pandemia começou no início do mês de março. Elas citaram que, antes da chegada do vírus no Pará, os estudantes recebiam aulas de professores contaminados e que o Ciaba se negava a liberar os alunos.

Após a denúncia, a Ordem dos Advogados do Brasil Seção Pará (OAB-PA) solicitou ao Comando do 4ª Distrito Naval a suspensão das aulas no Ciaba. De acordo com a OAB, a paralisação temporária das atividades é a melhor forma de proteger alunos e servidores do contágio da doença.

No dia 23, o Ministério Público Federal (MPF) informou que ajuizou ação civil pública para que o comando do 4º Distrito Naval seja obrigado a suspender com urgência as aulas e atividades presenciais da instituição. O MPF pediu à Justiça que a suspensão dure o tempo do decreto do estado de calamidade pública, protocolado pelo Governo do Pará, que proíbe reuniões com mais de dez pessoas.



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