Apenas 6,7% dos profissionais da educação tomaram duas doses da vacina contra Covid-19 no PA | Pará


O anúncio do retorno das aulas presenciais para o dia 2 de agosto volta a preocupar os profissionais da educação no Pará, cuja maioria ainda não está totalmente imunizada contra a Covid-19. Segundo estudos científicos, a eficácia da imunização é garantida com a segunda dose da vacina que este grupo recebeu. Para a categoria dos professores, o retorno às escolas ainda é “precipitado”.

Segundo o balanço da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), disponível na plataforma Vacinômetro, com dados das prefeituras municipais, apenas 6,5% da categoria da educação tomou a segunda dose da vacina. Foram 13.056 doses aplicadas.

Ainda de acordo com os dados, 67,75% destes profissionais tomaram a primeira dose, com 136.075 doses aplicadas, totalizando 200.840 imunizantes distribuídos. Os números incluem as redes pública e privada de ensino. A Seduc não deu informações sobre a cobertura vacinal dos professores da rede estadual.

O governador Helder Barbalho (MDB) admite, em anúncio divulgado nesta sexta, que o retorno ocorre com a imunização parcial dos profissionais da educação e também alega redução na taxa de ocupação de leitos. Barbalho diz ainda que a volta será em formato híbrido, com aulas presenciais e on-line, mantendo alguns alunos em casa. A previsão para o retorno de todos os estudantes é 1º de outubro.

A Secretaria de Estado de Educação (Seduc) ainda não divulgou calendário de retorno, mas disse que o plano será gradual, por grupos. As presenciais serão para o 3º ano do ensino médio; e 9º e 5º anos do fundamental. As escolas também devem receber apenas 25% dos estudantes de cada turma.

A Seduc também garantiu que todos os estudantes receberão máscaras, que pias foram instaladas para lavagem das mãos e haverá campanha de conscientização. Já as demais séries, segundo a secretaria, devem retornar quinze dias depois, também com 25% das turmas, alternando os dias de aulas presenciais, e a educação especial deve retornar só em 30 de agosto.

As aulas estavam suspensas há um ano e quatro meses, desde o dia 16 de março, após o registro dos primeiros casos de Covid-19 no Pará.

O retorno agora causa expectativa na estudante Samira Nunes, que que está se preparando para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Ela relata dificuldades em estudar em casa, com a apostila disponibilizada pelo governo. “É muito difícil a gente estudar pelo celular, e pelo caderno também, porque a apostila que eles dão é muito difícil”, afirma.

Sem imunização completa

A maioria dos professores do Pará recebeu a vacina contra Covid-19 em meados de junho com previsão da segunda dose para setembro. Em Belém, a prefeitura resolveu retomar as aulas presenciais no dia 1º de setembro, após a imunização completa dos profissionais da educação, agendada para 19 de agosto.

De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores em Educação Publica do Estado do Pará (Sintepp), o ideal seria discutir o plano de retomada após a completa imunização da categoria. “Em agosto não é viável até o dia 19 e 20, quando a categoria toma a segunda dose. E em setembro, nós topamos discutir com a Seduc a viabilidade do plano de retorno, garantindo 25% deste recebimento do alunado, de forma escalonada”, afirma Sílvia Letícia, coordenadora do sindicato.

“Concordamos com a escalonamento, mas o período do início desse retorno não é condizente com a realidade que nós estamos no Pará”, ela aponta.

O professor de história, Irailton Brabo, ministra aulas na escola estadual Prof. Joaquim Viana, que é de tempo integral, para turmas nos primeiros anos do ensino médio. Ele tomou a primeira dose da vacina contra Covid-19 da AstraZeneca no dia 11 de junho. A segunda dose está prevista para 9 de setembro. “Sou contra o retorno da forma que está sendo anunciada, primeiro porque a maioria das escolas não têm condição e a maioria da população não vai estar totalmente vacinada, inclusive nós professores”, ele afirma.

Não me sinto seguro para este retorno, que deveria ser feito, na minha opinião, segundo aquilo que a ciência diz, que o laboratório recomenda, de retorno duas semanas após a segunda dose, já que estudos científicas mostram que no caso de variantes, como a delta, a eficácia está comprovada após este período depois da segunda dose”, argumenta.

Segundo o professor, a escola em que trabalha também não está preparada, já que precisa de uma reforma urgente, que ainda está em processo de licitação.

“A escola não tem as mínimas condições, mesmo com o escalonamento. Sabemos o quão é importante o aluno estar em sala de aula, que ele é o grande prejudicado neste retorno, mas seria mais importante que as salas de aula sejam seguras, obedecendo protocolos e obedecendo a ciência”.

Já para o secretário estadual de Saúde, Rômulo Carvalho, o cenário epidemiológico “é confortável”. “Hoje nós temos um cenário epidemiológico que dá o conforto de poder colocar esse plano em prática e assim retomarmos gradualmente o processo de aulas para todos os alunos do Pará”, ele garante.



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