Adolescente de 16 anos é baleado dentro de casa e morre em ação da polícia contra traficante que ordenou ataques em Manaus | Rio de Janeiro


Um adolescente de 16 anos morreu depois de ser baleado no Morro da Fé, no Complexo da Penha, na Zona Norte, durante operação da Polícia Civil no Rio de Janeiro, nesta sexta-feira (18). Thiago da Conceição estava dentro de casa quando foi baleado na cabeça.

Ele chegou a ser levado para o Hospital Getúlio Vargas, também na Penha, por parentes e vizinhos, mas não resistiu. A mãe de Thiago chegou a precisar de atendimento médico ao receber a notícia.

Além do adolescente, outras duas pessoas morreram na Operação Coalizão pelo Bem, que reúne agentes das polícias civis do Rio, do Pará e do Amazonas e conta com o apoio da Polícia Militar do Rio. O objetivo é prender um dos chefes do tráfico do Comando Vermelho mandante dos ataques em Manaus, no Amazonas. As informações foram confirmadas pela Polícia Civil do Rio.

Segundo a polícia, Mano Kaio, que seria o mandante dos ataques, está escondido no Complexo da Penha. Além do Rio, a operação acontece em São Paulo e também no Amazonas.

Operação em quatro estados procura os mandantes dos ataques no Amazonas

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Os investigados são suspeitos de enviar mais de R$ 126 milhões para fortalecer facção criminosa no Amazonas e comprar armas e drogas. Durante a investigação, a polícia ainda identificou que a estrutura de lavagem de dinheiro também favorecia criminosos da facção paulista Primeiro Comando da Capital (PCC).

Até 12h10 desta sexta, 17 suspeitos tinham sido presos na Operação Coalizão pelo Bem, como é chamada pela Polícia Civil do Rio: 8 em Manaus, 7 no Rio de Janeiro e 2 em São Paulo.

Entre os presos está Marcelo silva, conhecido como Marcelão, apontado como um dos chefes do tráfico do Comando vermelho no Amazonas. Além dele, há mais um preso do Amazonas e outros 4 do Pará.

A polícia investiga se chefes de facções de outros estados também se esconderam no complexo da Penha.

Mano Kaio é considerado um dos líderes do tráfico de drogas no Amazonas, segundo a Polícia Civil — Foto: Reprodução/ Redes sociais

Onda de violência no Amazonas

O Amazonas viveu uma onda de violência entre 6 e 8 de junho. Ônibus, delegacias, viaturas policiais, ambulâncias, prédios públicos e agências bancárias foram incendiadas e alvo de tiros. A série de ataques aconteceu após a morte de um traficante em ação da polícia local.

Força Nacional participa da ação para prender suspeitos de ataques em Manaus
Força Nacional participa da ação para prender suspeitos de ataques em Manaus

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Outras nove cidades também foram alvo de ataques. Houve reflexos no comércio e nas aulas em colégios públicos e particulares e até a vacinação contra a Covid foi suspensa.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas, 74 pessoas foram presas e 2 adolescentes apreendidos desde o início dos ataques. Tropas da Força Nacional, com 144 homens, chegaram ao estado para reforçar a segurança e atuam desde o dia 10 de junho.

Moradores relatam barulho de tiros durante operação

Nas redes sociais, moradores de favelas no Sul do Rio relatam tiroteios e dizem que não estão conseguindo sair de casa. De acordo com o aplicativo Onde Tem Tiroteio, por volta das 6h45 havia registro de tiros ouvidos na Rua Canitar, uma das principais vias do Complexo do Alemão. Criminosos atearam fogo em barricadas para dificultar o acesso da polícia na comunidade.

Polícia Civil faz grande operação na Vila Cruzeiro
Polícia Civil faz grande operação na Vila Cruzeiro

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Agentes do Departamento Geral de Combate à Corrupção, Organizações Criminosas e à Lavagem de Dinheiro visam cumprir 18 mandados de prisão temporária e 35 mandados de busca e apreensão nos três estados.

Ao todo, 200 homens da Polícia Civil e 400 da Polícia Militar participam da operação. Agentes do Pará e do Amazonas também compõem a força-tarefa.

A Polícia Militar atua com o Batalhão de Operações Especiais (Bope), Batalhão de Choque, Grupamento Aeromóvel e Batalhão de Ações com Cães (BAC).

Policiais vasculham a Vila Cruzeiro atrás de chefes de facções de outros estados — Foto: Reprodução/PM

Comando Vermelho do Amazonas

As investigações da Polícia Civil do Rio de Janeiro identificaram uma forte ligação entre o grupo criminoso do estado e seu braço no Amazonas, autointitulado “Comando Vermelho do Amazonas” (CVAM).

Entenda o que motiva os ataques no Amazonas
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Os membros dos grupos criminosos se valiam do sistema bancário e de empresas de fachada para a remessa de valores do Rio de Janeiro para o Amazonas, conforme a investigação. Em um ano e meio os valores arrecadados pela quadrilha teria superado R$ 126 milhões, segundo a Polícia Civil do Rio.

A quantia era usada para o fortalecimento da facção no Estado do Amazonas, para a aquisição de armas e drogas para o grupo criminoso do Rio de Janeiro. A pedido dos investigadores, a Justiça determinou o sequestro de bens e o bloqueio de R$ 126.984.934,67 em contas bancárias dos suspeitos e de empresas supostamente envolvidas com as facções.

Helicóptero da polícia sobrevoa a Vila Cruzeiro na Operação Coalizão pelo Bem — Foto: Reprodução/TV Globo

O objetivo da organização criminosa amazonense, detalham investigadores do RJ, era controlar territorialmente uma das principais rotas de tráfico da América Latina: a Tríplice Fronteira Amazônica, formada pelas cidades de Tabatinga-Brasil, Santa Rosa-Peru e Letícia-Colômbia.



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