O samba pede passagem no segundo dia de desfile na Aldeia Amazônica  – Diário Online


Com temas politizados, homenagens a locais e personalidades paraenses, além de muita animação e baterias de samba afinadas, as escolas do Grupo 1 (também chamado ‘Grupo Especial’) do carnaval de Belém fazem seu desfile hoje (15), a partir das 19h, na Aldeia Amazônica David Miguel. O acesso para assistir aos desfiles a partir das laterais da Avenida Pedro Miranda é gratuito. Mas também é realizada a venda de mesas e camarotes pela Liga das Escolas de Samba de Belém.

A primeira a entrar na avenida do samba é a Mocidade Unida do Bengui, escola que conseguiu o acesso depois de ser campeã do Grupo 2, no carnaval 2019. Em seguida, pela ordem de sorteio, desfilam: Embaixada do Império Pedreirense, Deixa Falar, Piratas da Batucada, Rancho Não Posso Me Amofiná (que, como campeã do grupo especial de 2019, pôde escolher sua posição no desfile), Império de Samba Quem São Eles, Bole-Bole,Xodó da Nega e Matinha.

Buscando manter-se no grupo especial e ganhar forças para um dia alçar a posição de campeã, a Mocidade Unida do Bengui fará uma homenagem à Câmara Municipal como representante do povo, com o enredo “Belém: Berço da Democracia, Onde o Sol Nasce Para Todos”. O presidente da escola, Sérgio Meireles, lembra que ela vem de uma comunidade carente e traz o carnaval como cidadania. “Tanto que não vendemos fantasia, damos todas para a comunidade”.

Depois, o público vai acompanhar uma homenagem de dar água na boca de qualquer paraense. A Império Pedreirense aposta no enredo “Açaí: O Sabor do Pará, da Amazônia Para o Mundo”, para conquistar os jurados da mesma forma que o fruto conseguiu ganhar seu espaço na gastronomia local e até internacional.

CARNAVAL EM CENA

A Deixa Falar também volta-se a um tema local, mas carregado de ironia. Com “Gugu, dada, mi mi mi, bum bum! – Sátira Simpática de um Carnaval Pequeno”, a escola reflete sobre como o descaso público e a falta de união entre as escolas prejudicam o carnaval da cidade. “Falamos, por exemplo, da perda do sentido da palavra ‘coirmã’, usado pelas pessoas das escolas, mas que acaba não sendo posto em prática, levando tudo a apenas disputa”, comenta o carnavalesco Eduardo Wagner.

O carnaval também está presente na homenagem que a Piratas da Batucada faz com o enredo “Miguel Santa Brígida: O Arcanjo Dionisíaco do Drama, Fé e Carnaval”. O carnavalesco Jamil Mouzinho explica que será celebrada a trajetória artística do professor e pesquisador teatral. “Vamos falar de seu papel no teatro, da religiosidade pessoal e expressa no seu trabalho com o Auto do Círio, e o grande interesse dele, inclusive como pesquisador, em torno do carnaval”. O enredo promete ainda diversas encenações como parte do desfile.

Desfiles prometem emoção e história

Maycon Nunes/Arquivo

 

A bicampeã do grupo especial, Rancho Não Posso Me Amofiná escolheu ser a quinta escola a entrar na avenida para levar o público a um passeio pela cidade de Abaetetuba. O enredo “Às Margens do Maratauíra Encontrei a Terra dos Homens Fortes e Valentes” conta do nascimento da cidade a partir do rio e a escolha de seu nome indígena, em referência a um povo forte e criador de uma cultura diversificada, tanto do ponto de vista agrícola como artístico, dos brinquedos de miriti.

Na sequência, o público volta para Belém e uma de suas instituições de ensino mais icônicas, o Colégio Estadual Paes de Carvalho, com o enredo “A Beleza de Ser um Aprendiz”, da Império de Samba Quem São Eles. Exaltando a importância da educação, eles lembram também como a escola formou grandes nomes da história do Estado, como os governadores Jarbas Passarinho, Jader Barbalho, Alacid Nunes e Lauro Sodré; assim como o médico Gaspar Vianna.

Do Paes de Carvalho para o Guamá, a escola de samba Bole Bole exalta o rio que dá nome ao bairro de sua comunidade. Herivelton Martins, presidente da escola guamaense, diz que o enredo veio de uma constatação: “Antigamente não tinha rodovia nem ferrovia, tudo vinha pelo rio, a própria universidade se postou bem na beira do rio Guamá. É um lugar histórico, por onde os cabanos navegaram e onde viviam os Tembé. É um rio nosso e que tomamos para contar da nossa identidade”.

BRILHO A MAIS

O desfile encerra com os dois enredos mais politizados entre as nove escolas do grupo especial, mas que ainda prometem emocionar e encantar a plateia. Primeiro, a Xodó da Nega, que chega falando das conquistas feministas, exaltando nomes como a da professora e ativista do movimento negro, Zélia Amador de Deus. “O carnaval tem que ser para isso, para alertar a sociedade, para fazer refletir”, diz o vice-presidente da Xodó, Júnior Sena.

E fechando a noite, a Matinha, que completa 40 anos, vai falar da importância da luta pela inclusão das Pessoas com Deficiência (PcD). “O segredo é ‘carnavalizar’ o tema, com beleza, mostrar que essas pessoas existem, que são capazes. Uma cidade ou país que não está preparado para receber todas as pessoas de maneira igual é que é deficiente”, enfatizou o presidente da escola, Rodolfo Trindade. Várias famílias com crianças e jovens PcD devem participar do desfile, prometendo encerrar o Carnaval 2020 com muita alegria e emoção.

Maycon Nunes/Arquivo

 

Carnaval

Desfile das Escolas do Grupo Especial de Belém

Quando: Hoje, com abertura dos portões às 18h.

Onde: Aldeia Amazônica (Av. Pedro Miranda, s/n – Pedreira)

Quanto: Acesso livre para as laterais da Aldeia. Mas há áreas de mesas e camarotes comercializadas, a R$750 (camarotes para 15 pessoas) e R$150 (Mesa de pista para 4 lugares, localizadas no Monumental, em frente aos camarotes). As mesas não terão lugares fixos, será obedecida a ordem de chegada. As vendas são feitas na própria Aldeia e na Loja Gymnasium (Pátio Belém).





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