O desafio do trabalho depois dos 60 anos



O preconceito ainda é um entrave considerável para a contratação de profissionais acima de 50 anos de idade, independente, inclusive, do grau de experiência que eles possam ter acumulado ao longo da vida. Com a população do país envelhecendo de forma bem acelerada, porém, a adoção de medidas que comecem a rever esse cenário e mudar essa cultura se torna urgente. 

O fundador e CEO da Maturi, plataforma que reúne oportunidades de trabalho e capacitação profissional e empreendedora a pessoas com 50 anos ou mais, Mórris Litvak considera que as pessoas com mais de 50 anos sofrem um preconceito ainda muito forte no mercado de trabalho em função da idade. “Existe um preconceito em função de estereótipos, que ainda é muito forte na nossa cultura, de que os mais velhos não estão aptos a muitas coisas, de que não estão atualizados, que não sabem mexer com tecnologia, que não são tão ágeis quanto os jovens, que são muito fechados a novidades ou que são muito caros por serem mais experientes”, considera. “Isso acaba sendo um senso comum que, às vezes, está no inconsciente de quem contrata profissionais e que acaba preferindo jovens sem parar para pensar”. 

EQUÍVOCO 

Mórris alerta que, na verdade, é um grande erro generalizar dessa forma, já que essas condições e características dependem de cada pessoa, independentemente da idade. Existem jovens que, por exemplo, podem não estar atualizados em relação às novidades. “Toda a questão da modernização, do uso de tecnologia no local de trabalho e da transformação digital acabou reforçando essa visão de que é preciso ter mais jovens”. 

Segundo o especialista, quanto mais idade a pessoa tiver, os efeitos desse preconceito podem ser ainda maiores. Mórris explica que a Maturi concentra suas ações em pessoas 50+ porque foi possível perceber, através de pesquisas e estudos, que aos 50 anos as pessoas já ficam praticamente invisíveis para o mercado de trabalho, mas isso pode começar antes e, em muitos casos, se torna mais intenso com o avançar da idade. “As mulheres, por exemplo, sofrem o etarismo mais cedo do que os homens, mas pessoas com 60 a 70 anos é realmente quase impossível porque esse preconceito vai ficando mais forte com pessoas ainda mais velhas”. 

Para superar esse preconceito, o especialista aponta que não há milagre. É necessário muita informação e educação para avançar nesta demanda. “Tem que conscientizar as empresas, principalmente passando pelas lideranças, e sensibilizando elas sobre o tema, mostrando que tem uma questão social muito importante de inclusão e representatividade, já que hoje 26% da população brasileira tem mais de 50 anos”, considera. “Mas, também, é preciso mostrar que há uma questão estratégica importante para o negócio, que é a o fato de a força de trabalho no Brasil estar envelhecendo de forma rápida, então, empresas não vão poder ficar só recrutando e retendo jovens. Além disso, tem toda a diversidade de ideias e pontos de vista que equipes multigeracionais trazem, já existem estudos comprovando que isso é muito positivo para a empresa”. 





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