Inoperância da prefeitura: população se mostra descrente com as eleições  – Diário Online


Em todo o Brasil, há 147,9 milhões de eleitores aptos para votar nas eleições municipais nos próximos dias 15 (primeiro turno) e 29 (segundo turno) de novembro, conforme o calendário eleitoral divulgado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Já a capital paraense possui um pouco mais de um milhão de eleitores aptos a votar. Os partidos devem indicar seus representantes para concorrer às câmaras de vereadores e prefeituras dos municípios de todo o país até hoje (16).

Para os eleitores, a cada eleição se criam novas expectativas sobre as propostas apresentadas pelos futuros representantes. Contudo, em Belém, os problemas que a população enfrenta no seu cotidiano, como a falta de saneamento básico, alagamentos, dificuldades de atendimento na rede municipal de saúde, entre outros, sobretudo na periferia da cidade, fazem com que muitos eleitores já tenham perdido a esperança de dias melhores.

A moradora de Canudos é uma dessas pessoas. Darlene Zamorim, 31, é empresária e mora há 12 anos na avenida Gentil Bittencourt, com a travessa Segunda de Queluz, onde também possui um comércio. Para ela, aquele bairro é esquecido. Prova disso é o canal que corta a via, cuja estrutura de proteção se rompeu há anos e nunca foi revitalizada.

Darlene Lamorim.
14/09/2020 Foto Celso Rodrigues/ Diário do Pará.
Celso Rodrigues

 

“O bairro de Canudos é esquecido devido ser fronteira da Terra-Firme e Guamá. Tudo vai para esses outros bairros. Aqui não temos UPA, não temos um hospital. É como se não tivessem moradores aqui. E devido a essa erosão que vem do canal, temos medo de que possa atingir o nosso prédio. Já pedimos para a Prefeitura vir e nada. Se acontecer alguma coisa no prédio vamos buscar nossos direitos”, disse.

Questionada sobre possíveis candidatos para votar nas próximas eleições, Darlene diz que vai avaliar as propostas. “Estou apoiando um candidato a vereador que pode fazer algo pela gente. Para prefeito, por enquanto, não penso em votar em mais ninguém. Mas vamos ver daqui para frente e analisar o que pode nos beneficiar, porque não temos nada”, afirmou.

ALAGAMENTOS

Na parte mais baixa da Pedreira, há moradores castigados há anos pelos alagamentos. É o que ocorre na passagem Santa Luzia. A artesã Maria das Graças Tavares dos Santos, 69, mora sozinha e já perdeu diversos móveis e eletrodomésticos, em decorrência do problema. As marcas feitas pela água que invadiu a residência dela no último inverno continuam pelas paredes. Pensando no próximo inverno, ela mantém a geladeira e máquina de lavar sobre uma estrutura de madeira, para prevenir que o volume de água alcance seus pertences.

“Quando chove a noite amanheço o dia sem dormir, preocupada. Não fizeram nada na rua. Estou muito triste. Fui a mais prejudicada da rua, ninguém repôs o que eu perdi. Espero que os próximos olhem com mais atenção pra gente aqui, somos pobres. Estou tão triste que eu não voto mais em prefeito e vereador”, declarou.

Maria de Nazaré
Maria de Nazaré Celso Rodrigues

 

Também moradora da via, a dona de casa Maria de Nazaré Campos, 56, conta que nem uma simples limpeza nos bueiros é feita. “Espero que olhem mais para a gente. Quando chove o canal transborda e enche tudo, povo toma banho, anda de canoa. Nunca tivemos saneamento. Os bueiros são todos entupidos. Recebemos muitas promessas de que iam ajeitar a rua e não fizeram. Já acabou a minha vontade de votar, porque cada um que vem é pior. Aqui demora até para passar o carro de lixo”.

Alagamentos

Mesmo em bairros considerados nobres, como o de Batista Campos, a população sofre com os alagamentos e a falta de saneamento. Em pleno período de verão, a água permanece empoçada na Rua dos Pariquis com a travessa Quintino Bocaiúva. Ali funciona uma oficina mecânica. Durante o inverno, a situação gera prejuízos aos moradores e estabelecimentos.

A gente fica o tempo todo sentindo esse odor ruim. Perdemos muitos clientes no inverno, eles vão embora mesmo. Esperava melhorias, inclusive no meu bairro da Cabanagem. Lá não fizeram nada. Falta iluminação pública, saneamento, asfalto”, enumerou a gerente da oficina, Regina Machado, 42.





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