Federação de artesãos do Pará aponta que categoria deve perder R$ 8 milhões com mudanças no Círio 2020 | Pará


Um levantamento feito pela Federação das Associações e Cooperativas de Artesãos do Pará (Facapa) apontou que pelo menos 8 mil artesãos devem ser afetados pelas mudanças no formato do Círio 2020. De acordo com o estudo, a categoria deve deixar de arrecadar cerca de R$ 8 milhões em vendas de produtos religiosos durante a quadra nazarena. Segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), mais de 60 mil trabalhadores autônomos sofrerão os impactos causados pelo cancelamento das procissões.

Por conta da pandemia de Covid-19, a edição 228 do Círio de Nazaré, uma das maiores procissões religiosas do Brasil, não terá peregrinações com a imagem de Nossa Senhora de Nazaré. A programação em novo formato consiste em missas fechadas para o público, transmitidas pela internet, e um passeio de helicóptero com a imagem de Nossa Senhora por hospitais de Belém.

De acordo com o Dieese, os impactos econômicos serão mais sentidos pela ausência de turistas durante o período. Um levantamento feito pelo departamento aponta que o Pará recebeu mais de 80 mil turistas de outros estados do Brasil durante o Círio 2019. Esses visitantes injetaram mais de R$ 120 milhões durante o mês de outubro.

Artesãos sofrem impacto financeiro com mudanças no Círio 2020

“Estamos falando de mais de 60 mil pessoas, com uma infinidade de atividades, que vão desde a venda de fitas até o comércio de alimentos. Temos um complexo de pessoas que sobreviviam, ou tinham um acréscimo substancial de renda, devido as atividades desse período”, explica o técnico do Dieese Everson Costa.

Uma das atividades afetadas é a do artesanato. De acordo com a Facapa, pelo menos 30 mil artesãos vivem na região metropolitana de Belém. Cerca de 8 mil deles já sofrem os impactos do cancelamento das procissões do Círio.

“Nesse período do ano passado, eu já teria cerca de 60% das peças prontas para o Círio. Agora a gente produz, mas só por encomenda. A gente não tem mais aquela leva de peças pintadas, que sabíamos que o turista vinha comprar”, explicou a artesã Luziclara Brito, que vende peças religiosas durante o Círio.

A expectativa do evento é receber 30 mil visitantes e gerar R$ 300 mil em volume de negócios. — Foto: Ingrid Bico/G1

De acordo com a cooperativa de artesãos de Abaetetuba, no nordeste do Pará, muitos ateliês que trabalhavam na confecção de brinquedos de miriti para o Círio tiveram que parar as atividades devido a baixa procura. Segundo o presidente da cooperativa da região, muitos artesãos já mudaram de atividade devido a falta de retorno financeiro.

“Muitos profissionais da região voltaram para antigas atividades. Eles voltaram a ser feirantes, pedreiros, mototaxistas. Cerca de 25% dos artesãos aqui da região dependiam exclusivamente do artesanato para sobreviver”, conta o artesão Augusto Costa.



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