Decreto municipal volta a suspender aulas presenciais, mas mantém abertos bares e casas de shows em Belém | Pará


A Prefeitura de Belém publicou na manhã desta sexta-feira (30) o decreto que suspende as aulas presenciais nas redes pública e particular da capital a partir da próxima semana. A decisão foi tomada 46 dias após a reabertura das escolas na rede pública e busca controlar a disseminação da Covid-19 na capital. O decreto tem validade de 30 dias.

Segundo o documento, a medida vale para todas as turmas, menos para o terceiro ano do ensino médio. Os alunos das demais turmas vão receber aulas remotas. No entanto, a Prefeitura não informou como será a dinâmica de aulas a distância.

A decisão de suspender as aulas particulares na capital paraense havia sido anunciada na última quinta (29) pelo prefeito Zenaldo Coutinho (PSDB). Segundo o prefeito, a decisão foi tomada diante do aumento de casos suspeitos de coronavírus.

“Nosso objetivo principal é garantir proteção de forma uniforme a toda comunidade escolar”, afirmou Coutinho. A decisão representa um recuo, já que último dia 27, diante do avanço da doença, a Secretaria de Educação informou que as aulas seriam mantidas.

Em Belém, as aulas na rede privada foram autorizadas em 1º de setembro pelo Governo do Estado. Na rede pública, a prefeitura iniciou as aulas presenciais no dia 14 de setembro, para mais de 7 mil alunos.

Prefeitura indica aumento de casos

Decreto municipal suspende aulas presenciais, mas mantém abertos bares e casas de shows em Belém — Foto: Reprodução/ Instagram

No dia 21 de outubro, a Prefeitura de Belém acendeu o alerta sobre um possível surto de Covid-19 em Belém. Em uma live nas redes sociais, Zenaldo Coutinho admitiu um aumento de casos suspeitos da doença e chegou a citar “problemas” na rede particular de saúde, devido ao avanço da doença.

Na ocasião, Coutinho atribuiu a maior ocorrência de casos ao “retorno às grandes aglomerações em bares, festas e reuniões em casa”.

No entanto, no decreto desta sexta (30), Zenaldo suspendeu apenas as aulas e manteve a autorização de funcionamento de bares, restaurantes, casas de show e espaços públicos de recreação. Esses locais podem funcionar entre 18h e 0h, obedecendo a capacidade de 50%.

Segundo a Secretaria de Saúde do Pará (Sespa), o estado registrou 252.389 casos e 6.738 óbitos pela doença.

Em relação à ocupação de leitos na rede estadual, o Pará tem 27,02% dos leitos clínicos e 54% das Unidades de Terapia Intensiva (UTI) ocupados.

De acordo com a Sespa, já foram realizados 406.899 testes rápidos e 56.748 testes RT-PCR para Covid-19, até então.

Fiocruz e hospitais particulares apontam aumento de casos

Leito de UTI destinado para paciente de Covid-19 em Belém. — Foto: Reprodução / Agência Pará

A declaração do prefeito de Belém confirma uma tendência de aumento nos casos suspeitos da doença na capital, sinalizado pelos hospitais particulares e pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Segundo um levantamento realizado com base em dados da Secretaria Municipal de Saúde de Belém (Sesma), houve um crescimento de 112% no número de casos entre os dias 12 e 16 de outubro.

Segundo o levantamento, entre os dias 5 e 9 de outubro, foram registrados, em média, 40 casos suspeitos de Covid-19 nas unidades de saúde de Belém. Uma semana depois, entre os dias 12 e 16 de outubro, os números dobraram e alcançaram a média de 85 casos ao dia. Os dados fornecidos pela prefeitura de Belém no site “Painel Covid-19” se referem a casos de síndromes respiratórias agudas. Para a prefeitura, os casos são tratados como suspeitos de Covid-19, por apresentarem sintomas similares.

O aumento de casos suspeitos também é registrado em hospitais particulares da capital. De acordo com o Sindicato dos Estabelecimentos de Serviços de Saúde do Pará, pelo menos cinco hospitais particulares de Belém precisaram reabrir alas exclusivas para Covid-19.

“Agora vemos muitos locais reabrido alas, andares inteiros de hospital para atender pacientes sintomáticos. Temos números de pacientes suspeitos que, se comparados com agosto e setembro, são pelo menos duas vezes maior”, afirma o presidente do sindicato, Breno Moraes.

Apesar do aumento de casos da doença na capital confirmados pela Prefeitura de Belém, pelos hospitais particulares e pela Fiocruz, a Secretaria de Estado de Saúde (Sespa) afirma que há uma “redução da média móvel de casos e mortes”. Segundo dados coletados da plataforma “Monitoramento Covid-19”, do Governo do Pará, houve uma queda de 7,4% na média móvel de casos da doença nos últimos 14 dias.



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