Coronavírus ainda pode se manifestar com gravidade mesmo com menos casos – Diário Online


Com a estabilização do número de casos e de mortes no Pará, o que possibilitou o retorno de diversas atividades e a reabertura de espaços de lazer, houve um visível relaxamento da população com relação às medidas de segurança sanitária para combater a disseminação do novo coronavírus. Pelas ruas é possível flagrar cidadãos circulando sem máscara ou em aglomerações, descumprindo orientações preconizadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS). A situação é observada quase seis meses depois do anúncio do primeiro caso da doença no Pará, registrado em 18 de março deste ano.

A infectologista Andréa Beltrão faz um alerta: a pandemia não acabou. Embora atualmente a maioria dos estados das regiões Norte e Nordeste estejam com os números de Covid-19 estáveis, em outras regiões do país a doença ainda avança. É o que ocorre nas grandes cidades, como Rio de Janeiro e São Paulo, justamente por serem as mais populosas. “Estamos vivendo o pós-pico da pandemia, não temos o colapso hospitalar com um grande número de casos, a faixa de transmissão está baixa e os hospitais não estão precisando de leitos para covid. Porém, antes predominavam os quadros respiratórios, que agora não são tão evidentes”, afirma. “Hoje, o paciente já interna com uma fase mais tardia da covid, a inflamatória. Ou seja, pode se manifestar através do infarto do miocárdio, acidente vascular encefálico, isquemia de membros e as crianças têm manifestado um quadro sistêmico inflamatório, além de vômito e diarreia”, informou a médica.

A exposição das pessoas que ainda não tiveram a doença ou que pertencem ao grupo de risco para as formas mais graves da doença é o que mais preocupa os especialistas nesse momento. “Todo cuidado é pouco. Principalmente se você ainda não teve a doença e convive com pessoas que tenham fator de risco. Tem de manter as medidas, lavar as mãos, usar álcool em gel, manter o distanciamento social. Mesmo quem já teve precisa seguir com os cuidados. Tem sido mostrado que existe reinfecção e a pessoa pode ser veículo de transmissão para outras pessoas”, enfatizou a infectologista.

O cidadão também precisa atentar para o cumprimento das medidas protetivas nos espaços que frequenta. “Nesse momento cada um tem de fazer a sua parte. Os estabelecimentos têm de abrir da forma mais segura possível, com todas as medidas necessárias. Não é aconselhado, por exemplo, pessoas que ainda não tiveram a covid fazer viagens que não seja a trabalho, de férias. E se for viajar evitar cidades com o pico elevado e ter preocupação de quando retornar ficar atento a qualquer manifestação clínica”, orientou.

CUIDADOS

Monique diz que em Castanhal também há falta de cuidados

Celso Rodrigues

 

A cabeleireira Monique Sousa Santos 34 anos diz que na cidade de Castanhal, nordeste paraense, onde vive com a família, as pessoas parecem que “esqueceram o vírus”. Proprietária de um salão de beleza no município, ela diz que procura manter todas as precauções necessária no espaço. “Lá o povo saiu da quarentena. Fui à praça levar meus filhos e todo mundo estava sem máscara. Entrei agora a pouco em uma panificadora. Estava sem a máscara. A moça do caixa chamou minha atenção e achei legal da parte dela, porque às vezes a gente esquece, quer respirar melhor. Mas é muito importante”, pontuou.

Máscaras estão cada vez mais em falta nas ruas

Por meio de decreto municipal, o uso das máscaras de proteção em espaços públicos tornou-se obrigatório em Belém, como forma de diminuir a contaminação pelo coronavírus. Entretanto, parte da população tem afrouxado na medida ou usando o acessório de forma completamente errada. Pelas ruas e locais movimentados como o centro comercial, por exemplo, é possível flagrar várias pessoas andando livremente sem fazer uso das mesmas.

Mesmo nos ônibus, motoristas e passageiros transitam sem itens de proteção
Mesmo nos ônibus, motoristas e passageiros transitam sem itens de proteção Ricardo Amanajás

 

Quem não se arrisca é a recepcionista Daniele Ramos, 38 anos. Ela conta que sai de casa para trabalhar levando sempre mais de uma peça do acessório. “Além da máscara que já coloco dentro de casa antes de sair, sempre levo outras na bolsa para trocar quando chegar aos locais que frequento”, diz. Ela observa também que o número de crianças que não usam máscaras é grande. “Eu vejo muita criança andando com os pais pela rua sem usar máscaras. Isso é muito preocupante porque elas fazem parte dos grupos de risco”, lembra.

Dentro dos transportes públicos, alguns passageiros e até mesmo motoristas parecem não ligar para a própria proteção e de quem está ao lado. A equipe de reportagem flagrou várias situações de desrespeito com as regras protetivas. Wilson Souza, 63, disse ficar horrorizado com tanta imprudência por parte da população. “Tem gente andando de mãos dadas, se abraçando, tudo sem usar máscara. Espero que a gente não volte a viver aquela situação que passamos quando teve o pico da doença”, disse o autônomo.

Em Nota, a Prefeitura de Belém informou que o Comitê Municipal de Segurança, formado pela Ordem Pública, Guarda Municipal, Superintendência Executiva de Mobilidade Urbana (SeMOB) e pela Secretaria Municipal de Saúde (Sesma), por meio da Vigilância Sanitária, já aplicou, desde o decreto de lockdown, 279 multas em pessoas físicas e jurídicas, pelo descumprimento dos decretos municipais que têm como objetivo controlar a proliferação da Covid-19, em Belém. Dentre as punições estão, 180 multas por circulação sem uso de máscaras, 90 multas em estabelecimentos e outras 9 multas por outras infrações.





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