Adesão do Pará á Independência do Brasil ainda levanta discussões – Diário Online


Feriado estadual celebrado neste dia 15 de agosto marca o processo de integração e desenvolvimento do povo paraense, há quase 200 anos. Há 197 anos, no dia 15 de agosto de 1823, era assinada a Adesão do Pará à Independência do Brasil, após uma assembleia no Palácio Lauro Sodré (atual Museu do Estado), sede da Colônia Portuguesa à época.

A data virou feriado estadual devido ao seu processo histórico de integração e desenvolvimento da identidade brasileira e do povo paraense, que na época da assinatura possuía muito mais vínculo com os portugueses.

O Pará foi a última província (então chamada de Grão-Pará) a aderir à Independência do Brasil, cerca de um ano depois do famoso grito às margens do Rio Ipiranga, que marcou a separação entre Portugal e Brasil, que passou de colônia para uma nação independente.

Apesar de ser algo marcante e até hoje lembrado, sendo inclusive um feriado estadual, o processo de adesão à Independência não foi fácil. “A adesão foi um processo muito difícil. Foi o último território que se juntou ao Brasil e ao mesmo tempo o primeiro a dizer ‘não’ ao absolutismo. Isso significava que tínhamos aqui uma forte presença portuguesa, ligada à cidade de Porto, em Portugal, e se juntar ao Rio de Janeiro seria algo muito difícil”, explica a professora Magda Ricci, do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Universidade Federal do Pará (UFPA).

Os primeiros anos após a assinatura do termo de adesão não causaram grandes transformações na vida da população, sobretudo as mais pobres, e isso fez surgirem as primeiras revoltas da população contra o Império Brasileiro, como a revolta do “Brigue Palhaço”, na qual paraenses que buscavam os mesmos direitos de portugueses foram confinados no porão do navio São José Diligente e morreram. No total, 252 pessoas teriam morrido e apenas quatro sobreviveram. Foi uma das ações mais violentas registradas, de acordo com a historiadora. “Uma grande porção de soldados pediu a equiparação de soldo entre portugueses. Eles foram presos e levados ao navio onde acabaram mortos”, disse a professora, afirmando ainda que essa situação fez crescer ainda mais o sentimento de revolta entre os paraenses, fazendo surgir outros movimentos, como o da Cabanagem, anos mais tarde.

REFLEXÕES

Apesar de se passar quase dois séculos, essa construção da identidade do paraense junto ao resto do país ainda se faz necessária, de acordo com Magda Ricci. Datas como as de hoje fazem com que esse sentimento se torne ainda mais evidente. “A adesão é o processo de reconstrução de uma nação que foi doloroso e cheio de brigas. Não é querer os mesmos números de outras cidades, como São Paulo, por exemplo. Mas saber que podemos ser semelhantes. Pensar em como estamos hoje, se estamos bem politicamente e economicamente. Isso faz parte do nosso processo contínuo de formação da identidade”, comentou.

E esse sentimento de pertencimento à nação ainda não se faz presente entre muitos paraenses, como para a autônoma Ivanilde da Silva Freitas, 55, moradora do município de Ponta de Pedras, na Ilha do Marajó, que confessou nem saber sobre o feriado de hoje. Muito menos que era sobre a Adesão do Pará à Independência do Brasil. “Eu pouca coisa sei sobre a data, é muito pouco divulgada e nem lembrava que era feriado. Ainda somos muito reconhecidos e bastante discriminados em tanta coisa. Problemas sociais que sempre nos atingem, além de preconceito com nossa raça e nós que temos de nos impor para ter nossos direitos até hoje”, declara.

A mesma sensação é compartilhada pela doméstica Alzira Pereira Barbosa, 57, que ainda vê o estado deixado de lado por muitos vizinhos. Apesar de saber pouco sobre a Adesão do Pará, ela afirma que existe uma sensação de que o estado é algo separado e desconhecido por muitos brasileiros. “A impressão é que não fazemos parte do resto do país. Existe muita discriminação e é como se não fossemos do Brasil e sempre sentimos mais por estar deixado de lado”, diz.





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