90% da frota de ônibus das linhas de Outeiro, distrito de Belém, está sucateada, aponta sindicato | Pará


Usuários, motoristas e cobradores reclamam da falta de pontualidade e do sucateamento dos ônibus que fazem as duas linhas de Outeiro, distrito de Belém. Os ônibus são operados pela empresa contratada pela prefeitura, a Belém Rio, que não quis falar sobre o assunto.

São retrovisores quebrados, falta de iluminação. Bancos de motoristas soltos. Manetes do câmbio de transmissão quebrados. Há, inclusive, veículos que ficam ligados na garagem porque, segundo os trabalhadores, se desligados eles não ligam mais.

Quem depende do transporte público diariamente sofre com os coletivos precários. Como é caso da pescadora artesanal Dulcinéia Oliveira. “Faz dois dias que os ônibus estão no prego. Ontem também quando veio de Belém chegou na estação, andou um pouco e já ficou no prego. É constante isso”.

Já o pedreiro Edson Santos reclama das condições dentro dos veículos. “Dentro você pode entrar e ver que é uma nojeira, até barata, rato a gente encontra nesses ônibus aí”.

Os trabalhadores apontam quem problemas mecânicos são frequentes e que trazem riscos de acidentes. José Roberto Diniz, que é motorista, disse que já se envolveu em uma colisão por falta de freio.

“No Entroncamento bati um carro por trás porque estava sem freio, com pneu travando, caixa de marcha, carburador. Até carro com goteira. Passageiro quase me batendo por causa disso. Esses constrangimentos que a gente passa. Não é só a população que sofre, mas nós motoristas e cobradores também”.

O Sindicato dos Rodoviários disse que vem há dois anos denunciando os problemas nas estruturas e acabam influenciando nas condições de trabalho dos rodoviários. Ainda segundo o sindicato, 90% da frota do distrito de Outeiro está sucateada.

“O sindicato vem denunciado essa falta de condição há muito tempo, para os órgãos, o Ministério Público do Trabalho (MPT), e para a própria gerenciadora, que é a Semob”, afirma Everton Paixão, do Sindicato dos Rodoviários de Belém.

Já o sindicato das empresas de transporte de passageiros diz que a idade média da frota do município é de sete anos e que recebe manutenção frequente. O sindicato alega ainda que, devido à pandemia, não foi possível fazer a renovação dos veículos dentro do esperado.

“Foi um ano bastante difícil por conta da pandemia. Houve uma redução de até 80% dos passageiros e a nossa tarifa é uma das baixas entre as capitais. A manutenção é feita regularmente e existe a fiscalização da Semob, diariamente em todas as linhas”, afirma Natanael Romero.

Em nota, a Superintendência Executiva de Mobilidade Urbana de Belém (Semob) disse que, nas últimas semanas, tem intensificado a fiscalização na garagem da empresa Belém Rio para verificar se há irregularidades na manutenção dos ônibus e pendências na vistoria anual da frota.

A Semob afirmou ainda que a fiscalização é frequente e ocorre não apenas nas linhas de ônibus da Belém Rio, mas em toda a frota de coletivos que circulam no município e sempre que um veículo é flagrado não atendendo aos requisitos mínimos de trafegabilidade, ele é retirado de circulação e só pode voltar às ruas após se adequar.



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